Crises econômicas são permanências históricas

Muito antes do capitalismo, as crises econômicas já eram realidades para certas civilizações. Data-se que a primeira crise, de fato notável, ocorreu no século dezessete, na Holanda, que ficou conhecida como “a mania das tulipas”, onde a procura por bulbos de certa espécie de tulipas era tão grande que pessoas vendiam até imóveis para investir em papéis das tão procuradas tulipas. O sucesso era tão grande que começaram a negociar contratos futuros* para negociar os bulbos antes mesmo da colheita.

Até que, no ano de 1937, após uma série de fatores que causaram grande perda de confiança dos investidores no sucesso dos bulbos e vários se desfizeram rapidamente de seus papéis, o que causou um despencamento tão grande no preço dos bulbos que várias empresas e cidadãos foram à falência em poucos dias (Observe a figura abaixo).

O que acontece nos dias de hoje é que, devido a globalização, o poder de propagação de uma crise financeira acaba sendo global e, em questões de dias, instituições financeiras e empresas de todos os continentes podem ter sofrido com o colapso. Como toda crise, pouquíssimas pessoas (ou nenhuma) conseguem prever com antecedência, e os resultados são dolorosos, às vezes até irreversíveis.

Como escapar das crises?

Partindo do pressuposto de que o momento de impacto exato dos efeitos de uma crise econômica são totalmente incertos, após analisar a causa de várias empresas que obtiveram sucesso em escapar de crises como a crise da pontocom, 2008/2009, crise da Grécia e mais recentemente a crise brasileira de 2015-2017, foi observado que há fatores cruciais que fizeram com que empresas tivessem boas chances de escapar de severas crises:

1. Alavancagem financeira

Alavancagem financeira, que nada mais é do que aumentar a sua rentabilidade utilizando-se de gastos que não pertencem propriamente a empresa, como capital de terceiros, é um artifício que expõe a organização a grande endividamento. Se expor a alavancagem nos dias de hoje é algo comum em alguns setores, principalmente no financeiro, o problema está na duração dessa exposição.

Caso a empresa passe anos exposta a alavancagem, a chance dela possuir problemas graves em caso de crise é bastante elevado. Isso porque ao se estourar uma crise financeira, o crédito tende-se a se esgotar ou a obter uma taxa de juros elevadíssima, fazendo com que a força motriz da empresa (a alavancagem), em tempos de crise, deixe de existir, o que poderá levá-la à falência. Portanto, manter a alavancagem com pouco tempo de duração, deve ser uma prática a ser pensada pelas empresas para estarem menos expostas ao risco.

Na A.C.E. Consultoria conseguimos analisar o nível de exposição à alavancagem que a empresa apresenta a partir do nosso serviço de valuation, onde fazemos uma análise completa de todos os aspectos financeiros da empresa.

2. Automatização de processos

A automatização dos processos atualmente é um mecanismo primordial para as empresas obterem um bom funcionamento no seu dia a dia, além de não se abaterem além do normal caso a empresa necessite realizar um corte no quadro de seus funcionários.

Isso é mais evidente no setor das indústrias, no qual, segundo a revista Época Negócios, além de tornar os processos mais eficientes, também os tornam mais econômicos, visto que muitas linhas de produção seriam mais enxutas (menos materiais) e o tempo de produção mais rápido.

Importante lembrar que estamos vivenciando a evolução da indústria 4.0 e que a automatização dos processos em grande escala, nos próximos anos, será algo necessário para as indústrias continuarem obtendo vantagem competitiva em seus respectivos segmentos, até porque a automação é algo fruto da indústria 3.0.

Num cenário de crise econômica, é comum que colaboradores assumam funções que estão fora do seu escopo, devido a necessidades corriqueiras, às vezes para suprir uma demanda inesperada ou para substituir um funcionário que foi cortado, por pouco tempo é bastante compreensivo.

Porém, disfunções ao longo prazo podem causar sérios danos ao andamento da empresa, desde trabalhos mal executado até uma péssima gestão do conhecimento.

Sabendo dessa dor de mercado, na A.C.E. Consultoria realizamos serviços de mapeamento e otimização de processo, que visa justamente sanar esses gaps, que podem ser de grande valia em tempos de crise.

3. Ter sempre um plano B

Segundo estudos de nossa parceira, a Bain&Company, cerca de apenas 43% das empresas listadas na S&P 500 elaboram um plano avançado para conter recessões. E que, dentre essas, cerca de 86% pretendem tirar vantagem da recessão para ganhar market share e não diminuir apenas de futuras perdas.

Dificilmente empresas de pequeno e médio porte se preocupam em traçar um planejamento estratégico voltado para tempos de crise/recessão, podendo fazer com que empresas maiores, como as listadas na S&P 500, que possuem um planejamento de expansão em tempos de crise, se aproveitem para afundar os menores players. Portanto, é de suma importância que os gestores possuam um planejamento imediato “na manga” para casos de possível recessão.

A Bain pontuou que empresas que possuem um planejamento para tempos de crise, após esse período, possuem em média cerca de 18% de crescimento durante o período e cerca de 8% no pós-crise. Enquanto as empresas que não possuem ou que elaboram um planejamento durante a crise, possuem em média um decaimento de cerca de 3% durante a crise e cerca de 4% no pós-crise.

Como dito no início do texto, após analisar alguns cases de empresas que superaram a crise de maneira brilhante, é possível concluir que esses três pontos foram importantes para o sucesso delas e que podem ser aplicadas em praticamente todas as empresas.