“O Brasil é o melhor mercado de ações do mundo”. A notícia publicada pela revista Forbes, gigante do setor de negócios e economia, traduziu para o mundo as expectativas positivas acerca da economia brasileira no ano de 2019: o Ibovespa Futuros, índice da bolsa que pode ser explicado como as apostas para o futuro da economia, fechou em alta em 6 dos 8 primeiros pregões do ano.

O otimismo do mercado financeiro está longe de ser uma euforia sem fundamentos: a análise de outras variáveis da economia atestam a tendência de uma lenta, porém consistente recuperação da economia brasileira, que deve crescer cerca de 2,5% em 2019.

Nesse artigo, o comportamento ao longo do tempo da produção das empresas e da capacidade de consumo da população brasileira serão analisados para que se possa entender o que causou os bons olhares dos investidores para com a economia do país.

O PIB e a produção das empresas

O PIB, Produto Interno Bruto, pode ser entendido e mensurado como a soma de tudo o que foi produzido dentro do país por empresas nacionais e estrangeiras. É utilizado internacionalmente para representar o todo de uma economia, e é uma das principais variáveis econômicas utilizadas em diversas análises.

No gráfico acima, é possível observar os valores (corrigidos para 2018) do todo da produção brasileira dos últimos 20 anos (linha preta), e, utilizando uma ferramenta estatística chamada Filtro HP, a tendência desses valores, ou seja, a “média” da produção, desconsiderando as oscilações e sazonalidades da economia (linha amarela).

Primeiramente, é possível observar uma clara tendência de crescimento da produção brasileira, que foi afetada em momentos de crises internacionais (1998 e 2018) e em momentos de crises domésticas (2002 e 2015). Além disso, é possível perceber, também, uma recuperação da economia brasileira a partir de 2017, ano em que a economia cresceu 1% e em 2018, quando esse valor foi de 1,3%.

Em novembro de 2018, a economia atingiu o mesmo nível de outubro de 2015, indicando que, aos poucos, a produção das empresas retornou ao crescimento e que, num futuro próximo, ultrapassará os valores de antes da crise.

Todos esses números indicam e mostram que, passados os anos de uma recessão sufocante, os empresários estão retomando os investimentos, as contratações, a produção e as vendas.

O consumo das famílias brasileiras

Uma das leis mais consolidadas da economia moderna é o fato de que não existem mercados em que há oferta, mas não há demanda. No ambiente de negócios brasileiro, tanto durante a crise quanto no atual cenário de recuperação econômica essa lei foi respeitada: na crise, enquanto empresas fechavam, famílias consumiam menos; na recuperação, empresas voltam a produzir enquanto que as famílias recuperam a sua capacidade de consumir.

Três principais fatores influenciam o consumo das famílias: a existência de empregos, o quanto esses empregos geram de renda, e a capacidade das famílias de preservar o valor dessa renda.

O nível do desemprego, no Brasil, acompanhou as flutuações da economia ao longo do tempo e foi um dos principais sintomas da situação do ambiente de negócios. O desemprego subiu durante crise e, agora, apresenta uma leve tendência de queda. No fim de 2018, a taxa de desemprego se aproximou de 11,6%, menor valor desde julho de 2016.

Com mais empregos sendo gerados (755 mil novas vagas entre janeiro e novembro de 2018), as famílias passam a recuperar sua capacidade de consumir e demandar os serviços das empresas que, hoje, também estão num processo de recuperação das perdas da crise.

Além do emprego, os trabalhadores também estão recuperando sua renda. O rendimento real bruto dos trabalhadores, representado no gráfico acima, também oscilou negativamente ao longo da crise, e agora retorna aos seus valores de antes da mesma.

O terceiro fator que impacta o consumo das famílias é a inflação, que é medida oficialmente pelo governo através do índice IPCA, mensurado através do aumento dos preços dos bens consumidos pelas famílias brasileiras.

Como os preços desses bens (alimentos, transporte, custos de habitação) normalmente são reajustados com mais facilidade do que os salários, isso significa que, no curto prazo, aumentos na inflação reduzem o poder de compra das famílias. Afinal, até terem sua renda reajustada, as famílias consumirão esses bens a um preço maior, mas com os mesmos salários.

No gráfico abaixo, foi utilizada a mesma metodologia utilizada na análise do PIB para interpretar os dados acerca da inflação. Mesmo com forte oscilação positiva no mês de maio de 2018, causada pela greve dos caminhoneiros, a tendência percebida no Brasil é de um controle inflacionário que resulta num resguardo do poder de compra das famílias.

Com maior poder de compra, os consumidores podem voltar às compras com maior segurança do que quando tinham de lidar com ambientes hiperinflacionários, como ocorrido no Brasil nas décadas de 80 e 90.

Levando todos esses fatores em conta, é possível observar, também, que as oscilações na capacidade de consumo das famílias brasileiras afetaram de maneira diferente os diferentes setores da economia.

O consumo de bens semi e não duráveis, considerados bens essenciais e de consumo constante, como roupas, alimentos, perfumes, etc. decaiu menos com a crise, uma vez que esse consumo do dia a dia dificilmente é retirado do orçamento das famílias.

Já o consumo de bens duráveis que, normalmente são mais caros, como carros, eletrodomésticos, e afins é mais afetado pelas oscilações negativas da economia uma vez que ele está diretamente ancorado nas expectativas das famílias acerca da situação atual e futura da economia. Afinal, as famílias tendem a adiar a troca de um carro, por exemplo, se existe um maior risco de, no curto prazo, perder o emprego.

Isso pode ser observado tanto durante a crise de 2018, quando as expectativas catastróficas para o futuro da economia derrubaram o consumo de bens duráveis, quanto na recente crise de 2015, quando as más expectativas também derrubaram esse tipo de consumo, que afetou diretamente os resultados das empresas e indústrias que oferecem esse tipo de bem.

“Quais os impactos desse cenário de recuperação na minha empresa?”

Ao se deparar com essas informações, é natural que empresários e empreendedores se perguntem como agir diante desse novo cenário. O atual ambiente de recuperação significa, em temos menos técnicos, um ambiente de oportunidade para novos investimentos que façam com que as empresas possam aproveitar tal recuperação do poder de compra das famílias.

Entretanto, nem tudo são flores: as incertezas políticas a nível estadual e federal, no escopo do poder executivo e legislativo em um ano pós-eleições fazem com que as empresas necessitem de um assessoramento técnico e voltado para resultados que as direcionem a fazer os melhores investimentos possíveis.

A A.C.E. Consultoria, no ano de 2018, impactou positivamente mais de 50 clientes através da realização consultorias organizacionais que tanto ajudaram as empresas a entender melhor o mercado onde elas atuam, quanto ajudaram a sistematizar e estruturar estrategicamente a gestão dessas empresam.